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Para não perder o hábito, e certa de meu compromisso semanal com o Baguete, ligo a TV em meu tradicional zaping, desta vez em Buenos Aires.

Contrariando minha apresentação ao final da coluna, felizmente, nem só de expedições pelo Brasil rural vivo eu. Vez por outra tenho a chance ganhar outros rumos e esta é uma delas. Estou em Buenos Aires, magnificamente instalada no Hotel Hyatt após chegar de um belo jantar na Recoleta. Para não perder o hábito, e certa de meu compromisso semanal com o Baguete, ligo a TV em meu tradicional zaping.


Entre Anas Marias Bragas que pululam pelos canais da CableVision, encontro algo que me faz mais uma vez ver o quanto a malfadada globalização nos obriga a suportar o que há de pior no mundo. Incrível como conseguimos homogeneidade na ruindade, no baixo. Não bastasse uma humanidade seguindo inteira o mesmo padrão... o padrão eleito é da pior espécie.


Giro pelos 65 canais da CableVision e só encontro baixaria. Uma das maiores é a versão “La Proxima Victima”. Novelón brasileño.


Morro de rir ao ver Natália do Valle, Toni Ramos, Suzana Vieira e demais em dublagens que deixariam a singela professora Helena roxa de inveja (lembram Carrossel?). A impressão que tenho é a de que apenas uma dubladora faz todo trabalho. Não consigo perceber qualquer diferença entre as vozes. De quebra temos Rita Lee em espanhol na abertura.


Agora entendo porque os argentinos nos mandam tanta porcaria. Vingança.Desisto rapidinho desta opção e engato meu zapeador automático.


Chego ao bloco dos canais musicais, quatro seguidos, incluindo MTV, obviamente. Divertidíssimo o programa que passam no momento, “Much”. Um bando de teenagers num estúdio que tenta dar a impressão de animada pista de dança. 15 minutos de péssimo techno e corpos roboticamente dançantes. Até torneio de golf consegue ser mais animado.


E isto nem é tão grave considerando-se que anunciam um show dos “Autenticos Decadentes”, banda sei lá de onde, composta por um bando de velhotes cabeludos  e suas gracinhas que fazem juz ao nome do grupo.


É verdade que nada vi equivalente ao ignóbil roedor mas isto deve ser uma distração minha pois o conceito do personagem não é criação brasileira. Felizmente este ônus não carregamos.


Este negócio de programação é intrigante. Muitas vezes a TV até transmite algumas coisas legais... mas nisso também a uniformidade toma conta e se repete na Argentina um fenômeno. Como em muitos lugares, o melhor é condenado a horários que só são visto pelos insones. Parece que num estranho jogo de compensações, os programadores reservam apenas para os que não conseguem dormir o melhor. Vejo agora, 2h45min, um especial com Pablo Milanez. Não sou tiete do cubano mas devo reconhecer que é um nome que se destaca da mesmice.


Mas até nisso tudo é muito igual.

Tirando meu protesto contra a derrota da Mocidade, nenhuma palavra a mais sobre carnaval.

Há um ano eu estreava esta coluna semanal no Baguete com um texto sobre a transmissão do carnaval carioca, entre outros assuntos. Pois tranqüilizo a todos... tirando meu protesto contra a derrota da Mocidade, nenhuma palavra a mais sobre carnaval.


E como só agora começa meu novo ano, decidi seguir uma tradição ao contrário. Geralmente as pessoas iniciam anos cheias de promessas. Parar de fumar, emagrecer... estas coisas. Eu não! Vou começar o ano quebrando uma promessa.


No ano passado, após o final de Torre de Babel, prometi que não escreveria mais uma linha qualquer sobre telenovelas. Qual nada!!! Eis que vejo um ou dois capítulos de Suave Veneno e já me encanto. Prato cheio.


A trama é de um ineditismo único. Mocinha (Glória Pires) é socorrida pelo responsável por sua amnésia (José Wilker). Desmemoriada mas viva, envolve-se com o tal. Só que a amnésia se vai e a moça não revela o fato. Ao contrário, em telefonemas suspeitos a uma amiga (Patrícia França) cria a suspeita de que tudo não passa de uma trama muito da ardilosa.


Em contrapartida o galã-Wilker enfrenta toda sorte de problemas com a família para ficar livre e assim poder casar com a desmemorex. Casado com a generosa Irene Ravache decide pedir separação judicial e é claro que enfrenta a oposição de um bando de filhas malas e genros aproveitadores. Mais claro ainda que estes interferem na vida dos pais/sogros o tempo todo, principalmente a ultra-xarope Letícia Spindler, que vem sendo apontada como uma Isabela Rosselini dos trópicos, o que considero verdadeiro sacrilégio.


A interpretação de Wilker está soberba. Ainda não descobri de onde ele sugere ser o sotaque adotado por seu personagem, o que pouco importa. Assim como a Academia adora premiar com o Oscar atores que interpretam deficientes mentais ou físicos, as entidades brasileiras são chegadas num sotaque, a despeito da correção ou não.


E tem ainda Diogo Vilela fazendo uma espécie de místico. Mezzo-gay, mezzo-espírito elevado. De qualquer forma outro chato.


O fundamental é que as novelas não desistem deste velho chavão “homem rico com mulher pobre”, ou vice-versa. Depois a mesma televisão fica noticiando que ultrapassamos a luta capital X trabalho. Tsk, tsk, tsk.


O segundo melhor negócio que fiz em frente da televisão na última semana foi aprender a operar o controle remoto do Direct Tv (???). Aquilo não é controle remoto... é um painel de comandos. É mais difícil decorar as cinco mil e trezentas opções de comandos do negócio que o número de canais que a programadora oferece. Tem que ter brevê pra pilotar aquilo. Senti-me profundamente humilhada com minha Net e seu singelo controlinho.

Myke Tyson, seja por qual motivo, tem enorme capacidade de se meter em encrencas.

Sou uma privilegiada nestas grandes cidades brasileiras porque ao menos tenho tempo suficiente para almoçar em minha própria casa todos os dias. Não que o faça sempre e sequer tão seguidamente quanto gostaria, o que me obriga muitas vezes a uma comida detestável, outras tantas a uma televisão de quinta categoria. E há até algumas que conseguem reunir as duas “qualidades.


Definitivamente não precisamos dos tais “quilinhos” e menos ainda de “quilinhos” sintonizados mas outro dia eu caí num desses. Uma daquelas situações típicas de “After Hours”. Estava lá e atrás de mim duas moças que Deus lá sabe o que fazem na vida comentavam a nova prisão de Tyson e o que haviam visto sobre ele nos últimos tempos. Os noticiários pré e pós luta, a luta e a prisão.      


Impressionante como o mundo virou mesmo um show. Myke Tyson, seja por qual motivo, tem enorme capacidade de se meter em encrencas, volta e meia está envolvido com a justiça. E como as encrencas não são pequenas - e como se trata de Myke Tyson - tudo complica. A partir daí ele precisa de um bom advogado que, claro, para atender o tamanho da encrenca e sabendo o quanto Myke Tyson pode pagar, cobra os olhos da cara gorda e inchada do não mais em forma boxeador. Então Tyson, para reforçar a combalida conta, aceita novamente subir ao ringue sob o disfarce de grande retorno. Além de ganhar o que provavelmente estaria precisando ainda teria a chance de mostrar que trabalha, que não é um vadio qualquer. Isto pesa ante a corte.


E o mundo assiste a luta de Tyson contra um sujeito que ninguém conhecia até aquele dia ou noite. Ou tarde, já que a luta teve transmissão para todos os fusos horários do mundo. Vivam os patrocinadores, viva Tyson, viva Don King, viva o Jack Nicholson sentado na platéia, viva o Hino Nacional. Vivam o vermelho, o azul e o branco. A águia. Aí está este exemplo de cidadão.


Enquanto isso a CNN anuncia: “Un duro golpe en la carrera de Myke Tyson”. Quá, quá quá. Duro golpe levaram suas vítimas, dentro e fora do ringue. Ele, prática e objetivamente, era um sentenciado que violou a condicional. Está exatamente onde qualquer Código Penal respeitável o colocaria. Ele só não merecia estar na mídia.


Já que estamos no carnaval... uma notícia fantástica. Se alguém dúvida qual é o verdadeiro túmulo do samba... acabou a discussão. Curitiba. Acabo de ouvir na CBN que por questões de proteção ambiental foi proibido o pagode nos bares do Parque Barigüi, o maior da cidade. Uma amiga apoiou parcialmente a idéia. Ela acha que o pagode deveria ser  proibido e ponto.

Socorro!!! The Big Brother existe realmente.

Recebo um email com a localização das novas câmaras que o Detran/PR instalou pelas ruas de Curitiba para fiscalizar motoristas infratores. São muitas espalhadas pela cidade.


Ligo a TV no Jornal Nacional e lá noticiam que a Globo distribuiu por São Paulo 50 câmaras com a intenção de flagrar situações diversas do cotidiano.


Satélites são capazes de monitorar o universo e a telefonia digital denuncia o número do telefone antes mesmo do procurado atender. A nova geração Pentium vem com um número de série que pode ser capturado pela Internet.


Socorro!!! The Big Brother existe realmente.


Ainda bem que meu negócio aqui no Baguete é escrever sobre televisão e assim não preciso ficar pensando nestas coisas. Este negócio de realidade é um porre e é por isso que eu quase consegui assistir o Especial Hebe Camargo.


Que festa, hein?! Uma beleza. Imagine Hebe cantando em duo com Agnaldo Rayol? Imperdível. E o modelito branco e justo da cantora-apresentadora? Brincadeiras de lado... considerações sobre o bom gosto do programa à parte... Tia Hebe é poderosa. Estava (quase) todo mundo lá. Do esquecido Sílvio César a Daniel. De Raí a Rita Lee (êta rima probre), Mário Lago, Zizi Possi. Tinha gente de todos os tipos.


É evidente que o mundo não precisava daquele espetáculo mas quem pode... pode.


E falando em poder... quanto hoje custaria fazer o filme que assisti sábado de manhã no Canal Brasil? Acordei e preguiçosamente liguei a TV para ver nada. Só para ter um motivo a mais que favorecesse o prolongamento da vadiagem. Metódica que sou, invariavelmente começo meu tour pelo canal mais alto e venho baixando. Passo então CNN, Warner e pimba... passava "A Madona do Cedro", filme de baseado no livro de Antônio Callado. O que mais me chamou a atenção foi o elenco, que reúne um time que, imagino, inviabilizaria sua produção hoje.


Não vai aqui nenhuma pitada de humor negro, já que boa parte do elenco nem vive mais, refiro-me à qualidade e ao custo de pegar um time daqueles e colocar em uma só produção hoje. Atores do cacife de Ziembinski, Sérgio Cardoso, Othon Bastos, Leonardo Villar, Leila Diniz e outros de igual envergadura. Quando foi filmado este era o primeiro escalão de atores brasileiros.


Aproveito então que estamos no assunto escalação de atores e comento nota lida em vários jornais sobre o interesse da Record em "comprar o passe" de Bruna Lombardi e seu "Gente de Expressão". Parece que ela estaria discutindo seriamente a possibilidade desde que a emissora manifestou a intenção de usar não apenas seu talento de entrevistadora mas também de escritora. Dizem as notas que ela teria apresentado a sinopse para uma minissérie e que esta estaria animando os pastores.


Deverá dar excelente resultado a soma do talento de Bruna com a capacidade produtiva da Record.


Finalizando...chega ao fim o mistério sobre onde andará Djenane Machado, questão levantada nesta coluna há cerca de um mês e apoiada pelo Ney Gastal. Um leitor mandou-me o telefone para contatos com a atriz e imediatamente liguei. Falei com sua prima e procuradora, Maria Teresa, que explicou-me tudo.


Djenane Machado está com 51 e vive no Rio de Janeiro completamente afastada das atividades artísticas por motivos de saúde. Felizmente não passa por dificuldades financeiras, como seria possível nestas condições, graças a herança recebida de seus familiares. Djenane, para quem não sabe, descende de uma linhagem, digamos, "quatrocentona", que inclui Chiquinha Gonzaga (bisavó de sua mãe). É filha de Carlos Machado, o rei do Teatro de Revista.

Central do Brasil ganha o Globo de Ouro

“Central do Brasil marcou um importante ponto na corrida pelo Oscar 99: o filme brasileiro ganhou, na madrugada desta segunda-feira ( 1h45m, hora de Braslia), o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, derrotando produções como a dinamarquesa "Festa de famlia" e a holandesa "The polish bride". O prêmio, entregue pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, o segundo mais importante da indústria cinematográfica americana, considerado uma prévia do Oscar. (Hugo Sukman/OGlobo) Fonte(s): O Globo"


E agora uma pergunta: Quantas vezes você ouviu ou leu a frase "o prêmio, entregue pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, o segundo mais importante da indústria cinematográfica americana, considerado uma prévia do Oscar"? Por mais verdadeira que seja a frase, e parece que o é - a não ser que seja um belo exemplo da máxima que afirma que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade -, a falta de imaginação para dizer ou escrever isto é gritante. Ouvi esta mesma construção em pelo menos 3 telejornais, dois programas de canais por assinatura e li em muitos, muitos jornais. Isto faz lembrar algo em Fernanda Montenegro que sempre me chamou a atenção... o jeito que ela diz "ai meu Deus". Infelizmente, não sei usar os recursos de cyber-audio que o colega Alex Saba muito bem utiliza em sua coluna. Se soubesse, poderia demonstrar ou simular a entonação que a atriz "imprime" nesta expressão.


Um "ai meu Deus" suplicante, mas um pouco abafado. Diferente de todos os outros que andam por aí. O "ai meu Deus" é da Fernanda Montenegro.


E por que a repetição do texto sobre o Globe Awards me remeteria a Fernanda Montenegro? É que tenho uma dívida terrível: será que todos personagens falam "ai meu Deus" e nunca percebi ou a interjeição na boca de Fernanda Montenegro ganha destaque? Ou será um vício da atriz transportado a suas interpretações?


Ai meu Deus digo eu ao imaginar as mensagens que chegarão de leitores me acusando de não ser digna de, supostamente, apontar uma fraqueza de Fernanda Montenegro. A grande Diva. A 1ª Dama do teatro brasileiro. Nossa jóia mais preciosa.


Calma! Se um vício... um vício da Dona Fernand(oida)ona. Não se compara ao ligeiro tremular de cabeça do Francisco Cuoco, totalmente desprovido de classe. Muito menos ao jeito que Tarcísio Meira invariavelmente simboliza preocupação, levando os dedos polegar e indicador imediatamente superior ao nariz, entre as sobrancelhas. Não. Se é um vício, um vício vivido com estilo, reconheçamos.


Esta Fernanda Montenegro é terrível. Suas atuações soam tão naturais que, quando ela fala por ela mesma, em entrevistas ou depoimentos, não fica muito diferente de quando a vemos nos palcos ou na telinha, o que pode levar os incautos a acharem que ela está sempre representando. Como a pausa entre o "My English is not very good... my soul is better (longa pausa)... you choose", que ela disse ao agradecer o Globo de Ouro de Central do Brasil.


A pausa pareceu uma marcação.


Posso até estar fazendo conjecturas estapafúrdias. Mas senão... quem há de criticá-la por seu talento em transitar entre palcos e "falas" com similar empostação? Depois de longa vida nesta vida...


A primeira vez que escrevi em um jornal tinha 16 anos e hoje estou com quase 37. Seguramente, a mesma Márcia que conversa é a que questiona em entrevistas. Já ouvi algumas vezes pedidos para que deixasse na redação a jornalista, coisa que sempre me pareceu impossível.


Por isso, não pediria a Fernanda Montenegro que, fora do palco, deixasse de ser atriz. Não adiantaria.

Nada é mais fácil do que achar o risível em novelas.

Sobre as cenas finais de Torre de Babel tudo já foi dito, menos um detalhe importantíssimo e que me fez gargalhar em frente da televisão. Dentre todos os grandes achados finais o autor deu-se ao luxo de encerrar a participação de Dalton Mello e Vanessa (???) Barum com diálogo lapidar. Os dois, casadinhos e habitando a velha casa do ferro-velho, estão em clima doméstico. Ele estudando na mesinha de centro e ela deitada no sofá, lendo. E correm então - mais ou menos - estes dizeres:


Shirley: “...Fico muito feliz que você tenha voltado a estudar”. 
Adriano: “Uma coisa que eu vou querer é que você faça uma faculdade”. 
Shirley: “É mesmo??!! Eu faço” (com cara de feliz e animada).


Se ela mesmo tivesse manifestado o desejo, tudo bem... No coments.


É por estas e por outras que frustrarei os eventuais leitores que acessem esta página em busca de mais novidades novelísticas. Minha cota estourou.


Cria-se então um problema pois nada é mais fácil do que achar o risível em novelas.


Imagino que o pessoal da TV Senado deve estar preocupado com as duzentas mil horas de transmissão direta do “julgamento” de Clinton, by CNN. Disputa com a emissora do senado brasileiro em animação. Sobe um na tribuna e detona Clinton. Sobe outro e defende. Realmente, domingos, políticos e mães são iguais em qualquer lugar do mundo. No caso dos primeiros chama a atenção a gestuália. Sinto falta apenas do jeito ACM de presidir. Voês já repararam que o ACM jamais está prestando a atenção em qualquer pronunciamento? Está sempre envolvido em conversas paralelas e ouvindo cochichos de seus papagaios de pirata.


E a Rede Manchete está se entregando para o bispo e a bispa de sei-lá-qual-igreja. O pessoal que trabalha lá ao menos tem agora a esperança de receber... nem que para isto tenha que passar o cestinho no culto. Não entendo quem reclama da evangelização da TV brasileira. Rede Vida, Record, Manchete, Vinde... Meus compatriotas não sabem mesmo o que querem. Reclamam da sexualização, reclamam da “beatice”... se entendam, pô. Ou vão querer me convencer que querem programação cultural e séria?


Se isto fosse verdade estariam fazendo manifestações pela volta do Paulo Henrique Amorim ao comando do jornalismo da Band e até onde sei isto não ocorreu. Lembram da cobertura das eleições? Paulo Henrique, sozinho, fez mais do que todo jornalismo da Globo junto. E do SBT e Record idem. Qual nada. Tudo falácia.


Falando em falácia. O Manhattan Conection - programa que lidera o ranking da “jogação” de conversa fora e que vai ao ar nas noites de domingo no GNT - vai mal. Não que o quarteto Caio Bindler, Lucas Mendes, Nélson Motta e Arnaldo Jabor estejam piorando pois isto não estão. São os mesmos de sempre. Mas a qualidade do áudio está muito abaixo do aceitável. As intervenções do Jabor, via satélite, invariavelmente estão fora do ponto, o que é muito mais irritante que suas opiniões.


Interessante foi o tema do Globo Repórter que tratou dos esquecidos. Desencavou Ferrugem, Kate Lyra, Ricardo Prado e uma série de pessoas que um dia já tiveram fama e dinheiro e que hoje não têm mais fama e, em alguns casos, sequer dinheiro.


O que me faz repetir uma pergunta feita na coluna da semana passada. Até que alguém responda eu a manterei no ar: onde anda Djenane Machado?

Desde que iniciei a coluna no Baguete tenho evitado falar no execrável roedor milionário do SBT. Acredito que Ratinho, Collor & Cia. Ltda. merecem o esquecimento. Merecem habitar o limbo da mídia e o total esvaziamento.

Tive, em meu passado recente, uma breve passagem pelo interior do Paraná e, lá morando, certo dia disse a uma amiga que, se por acaso ela ouvisse qualquer tipo de comentário sobre minha conduta... não me contasse. Tinha claro que, se não ficasse sabendo das fofocas... viveria como se não existissem. Desta forma vivi dois anos em paz, sem sofrimentos com o diz-que-diz tão habitual nas pequenas cidades. Pensamento semelhante pode ser aplicado a muitas outras situações.


Desde que iniciei minha coluna, aqui no Baguete, tenho evitado falar no execrável roedor milionário do SBT. Acredito que Ratinho, Collor & Cia. Ltda. merecem o esquecimento. Merecem habitar o limbo da mídia e o total esvaziamento.


Só que o Sr. Carlos Massa conseguiu a superação do que já era absurdo. Na busca desenfreada de audiência, colocou no ar um casal que jura ter como filha, nada menos que Angélica, a da pinta. Não sei como tal casal teria perdido a guarda da criança, pois não gastei meu tempo ouvindo suas sandices... mas o pouco que suportei assistir bastou para perceber a cretinice.


Será que o escabroso mundo das pessoas comuns não mais estaria rendendo os cobiçáveis pontos e agora a engenhosa produção do programa começa a apelar para o lado dos ricos, bonitos e famosos? Tomara.


Se este raciocínio estiver correto, significa que os dias de glória do ignóbil ser estão contados. A repetição de hi(e)stórias como esta, tão inacreditável, deixará evidente que tudo não passa de uma grande farsa e o público que ainda prestigia Ratinho passará, paulatinamente, a abandoná-lo.


Deu. Chega. Já falei demais neste sujeito para quem acredita que ele não é digno de meus pensamentos.


Muito melhor mencionar Tarcísio Meira, que finalmente pisou no tomate. Peguei-o no pulo. E doeu!! Não me refiro a seu talento, mas a algo que sempre me chamou a atenção em sua carreira.


Vocês já notaram o jeito que ele fala? É todo articulado. Fala erres e esses certinhos, em geral até marcadamente. Costuma ser de uma correção ímpar na teledramaturgia nacional. Melhor, costumava. No capítulo de terça-feira (12.01), em Torre de Babel, seu personagem diz que Leda-Leila é "meia louca". Ou "meia" qualquer coisa, vá lá.


AI AI AI!!! O que será uma "meia louca"? Será uma meia que ganha vida e, revoltada contra o chulé de seu proprietário, começa a espremer-se ao ponto de provocar gangrena em seu pé?


Pô Tarcisão...


E já que estou na esfera da fala... li certa vez que Carlos Alberto Riccelli, aproveitando sua permanência nos Estados Unidos, havia feito um trabalho de aprimoramento vocal. Necessário, diga-se. Sempre foi seu ponto fraco a dicção. Com uma voz presa no peito, era difícil entender o que dizia e, pior, mais difícil ainda, compreender como alguém com tal dificuldade conseguia manter-se como ator.


Fui conferir o resultado de tal esforço na minissérie sobre Chiquinha Gonzaga, que passa agora na Globo. Uau! Parece que funcionou. Fiquei fã do cara. Adoro gente que se supera. O desempenho continua o mesmo, mas a voz...


Agora... dar a Regina Duarte Júnior (lembram da Eduarda?) a incumbência de protagonizar uma minissérie é abusar da paciência do telespectador. Já que o problema era encontrar duas atrizes de diferentes idades, mas fisicamente semelhantes... que tal Fernanda Torres e Fernanda Montenegro? Não aceitaram? Estavam ocupadas? Eram caras? E Débora e Paloma Duarte? Duarte por Duarte, as duas mães eqüivalem em talento. Já as pimpolhas são incomparáveis.


Reconheço que estou "meia" azeda hoje. Deve ser porque, no fundo, eu desejasse dedicar uma coluna a algo bem bacana. Um programa que me desafiasse a ser boazinha. Mas nada encontro em meus 56 canais.


Aceito sugestões.

Depois de quase um mês sob o escaldante sol da Bahia... eis que volto me sentindo a própria Sílvia Pfifer.

Depois de quase um mês sob o escaldante – e paradoxalmente maravilhoso - sol da Bahia, longe de jornais, TV, Internet e qualquer tipo de informação ao qual estou habituada... eis que volto me sentindo a própria Sílvia Pfifer. Não que tenha crescido, emagrecido ou embelezado como a tal... nada disso. É que eu também sou outra. Acho que sou minha irmã gêmea que tomou meu lugar para livrar-me do perene tom plúmbeo do céu curitibano.


Ai quem dera fosse! Sou eu mesma aqui e não mais a interina Lara, que gentil como sempre assumiu a coluna durante minhas férias (e uma multa enquanto se dirigia ao aeroporto para me buscar).


Ao chegar, ciente do compromisso semanal de mantê-los absolutamente informados sobre minhas imprescindíveis opiniões acerca do que nos apresenta a TV, retiro ânimo para folhear jornais e revistas que se avolumaram em minha caixa de correspondência. É hora de dar uma conferida na programação.


Começo pela revista da NET, que de destacável traz a inclusão do Canal Brasil (24 horas de filmes nacionais) na sua grade. Os três filmes do Roberto Carlos; Tati, a garota; um festival Zé do Caixão; A Hora da Estrela; O Quatrilho e muito mais.


Mas as novidades mesmo estão na minha querida Globo. Na mesma semana temos a estréia de O Auto da Compadecida e do novo programa do Chico Anísio. Uau! Vamos ao que interessa. Abandono revistas e jornais e prostro-me diante da telinha. Voilá!!


O Auto da Compadecida 


Antes de tudo, devo contar algo que delata minha idade. Quando li nos jornais que texto de Ariano Suassuna estaria na programação da semana, minhas primeiras lembranças não estavam relacionadas a qualquer de suas montagens teatrais. Imediatamente lembrei do Mederix - personagem de Ney Latorraca em Estúpido Cúpido - que com outros personagens interpretou a peça no decorrer da trama. Além de velha descubro que tenho memória.


E já que falei em Estúpido Cúpido... onde anda Djenane Machado, que fazia uma freirinha moderna na novela e que há anos não vejo ou tenho notícias? 


Bem... isto é outro assunto...


Interessante que um dos principais méritos de O Auto da Compadecida é justamente o que causa certa estranheza. Este negócio da Globo, vez por outra, produzir seus programas em película apresenta um resultado no mínimo curioso e, confesso, ainda não tenho claro se gosto ou não. É claro que há um salto na qualidade das imagens, mas também é fácil identificar a fonte de meu estranhamento.


Minha formação audiovisual é tanto cinematográfica quanto televisiva. Criei-me entre uma e outra e instintivamente fui me habituando às distintas linguagens de ambas. E agora vem a Globo e reverte isto... nem sei se por opção ou vício.


Explico. Guel Arraes, o diretor de O Auto da Compadecida, fez televisão com textura de cinema. Ou cinema com enquadramento de televisão. Como preferirem. Uma espécie de Frankstein no qual as cenas do "filme" são quadradinhas como as tradicionais novelas do formato televisivo.


Estranho. Muito estranho.


Chico Anísio


Há alguns anos, quando ainda pilotava sua Escolinha do Professor Raimundo, Chico Anísio comprou uma enorme briga com os humoristas da nova geração e alguns setores da Globo. Na época humorista, vociferou contra a fórmula de Bussunda, Arraes & Cia.


Depois deste episódio, talvez não por causa dele, Chico foi colocado na geladeira (e para piorar a situação, lá ficou enclausurado junto a Zélia Cardoso de Mello, então sua esposa). Passado o período de ostracismo, Chico volta em um programa no qual aproveita para exorcizar os dois demônios.


Abandona a desgastada fórmula de múltiplos personagens e abraça um humor de crítica comportamental, típico daqueles que no passado criticou. Se sua intenção era mostrar que sabe fazer, e melhor, este tipo de humor... de certa forma conseguiu. Sem sombra de dúvida é um ator infinitamente mais requintado que Fernando Guimarães e Pedro Cardoso. E buscou apoio em Regina Duarte, que não merece ser comparada a Maria Paula de Casseta e Planeta. Goste-se ou não dois dois.


Exorcizou com sucesso o primeiro demônio.


O segundo... bem... o segundo é mais pessoal. Separado de Zélia e acumulando "n" pensões alimentícias, Chico Anísio fez galhofas sobre o casamento numa espécie de Comédia da Vida Privada conservadora. Seu personagem riu, debochou e escrachou a ex-mulher. O autor encontrou para ela um relacionamento afetivo-intelectual e, para ele, o ex-marido, uma aventura sexual. Estereótipo pouco é bobagem, mas talvez numa espécie de mea-culpa, o bom e velho Chico pára por aí. Faz piadas mas conclui, ao voltar para sua ex-mulher (Regina Duarte), que não dá conta de Luana Piovani e que no fundo no fundo "panela velha é que faz comida boa".


As duas estréias da semana são competentes. Mas não surpreendentes.


Obs: assistindo a uma reprise do Jô vejo Adriana Calcanhoto cantando no final do programa. Se ela é uma gaúcha que mora no Rio de Janeiro, eu entenderia se passasse a "chiar"... mas porque ela cantou repetidamente "córação"... ao melhor estilo nordestino?


* Lancei aqui nesta coluna um concurso que premiaria o leitor que acertasse quais seriam as atrações musicais do especial de Natal da Xuxa. O leitor que mais se aproximou da resposta certa (Netinho, Leonardo, Daniel e Fat Family) foi Rogério C. Borges, de São Paulo. Ele deixou de fora apenas a Fat Family e já recebeu o CD de sua escolha (Chet Baker – The Last Great Concert – Vol. 1 e 2).

Muita gente não sabe que, quando alguém escreve que a televisão é fator de desagregação da família, se refere também à família de quem está lendo aquele texto.

* por Lara Sfair


Muita gente não sabe que, quando alguém escreve que a televisão é fator de desagregação da família, se refere também à família de quem está lendo aquele texto.


Parece que o povo sempre são os outros, a doença e a desgraça são sempre no vizinho, né? Mas a TV é fator de desagregação da SUA família, meu (meu não, da Márcia) caro leitor!!


Desligue a TV!! Não abra mão de TV desligada no horário das refeições! Troque a fofoca televisiva pela conversa com seu pai, seu filho, sua esposa. Até sua sogra é mais animada do que qualquer programa de TV ao vivo!!


Desligue a TV quando chega em casa ( não vale para dia de decisão Corínthians X Cruzeiro, tá?), livre-se daquela conversinha que faz cenário prá tudo que acontece na sua casa (ou apartamento, ou quarto). E preste mais atenção no colorido, nas vozes, nas luzes, no barulho da SUA VIDA!!


Tudo bem, se você não consegue viver sem TV, eu compreendo. Ela é boa em marketing, não foi só a você que ela capturou (sabe-se lá as custas do que).Tudo bem, se sua família acha que estar vivo inclui ficar passivo em frente a uma telinha, com o controle remoto na mão.


Mas no Natal?? Não, por favor, no Natal não!! No Natal, seja você cristão ou não, desligue!! Se a TV insistir, arranque o fio da tomada, detone a chave geral, reaja!! Livre-se daquele mundo artificial e sensacionalista, ligue-se no seu mundo!!


Por pior que sua vida seja, não pode competir em breguice com a Hebe, em chatice com a CNT, em artificialidade com o SBT, em mesmice com as novelas da Globo, em pobreza com as produções da Record. Nem seu cunhadão é pior ou mais vazio e exibido que alguns noticiaristas.


Mesmo com a TV desligada por algumas horas, durante a ceia, pode ter certeza: você não sentirá falta da TV. A música incidental será a trilha de alguma novela…. Bem, talvez. Mas as crianças com certeza ganharão presentes televisivos: uma presilha da Angélica, um joguinho da Eliana, ou uma boneca Chiquititas ou ainda alguma inutilidade do Gugu. Agora tem até vodu de dupla sertaneja nas prateleiras!!


Você não vai sentir falta dela. Portanto, seja infiel!! Traia a sua TV com a sua família!! Seja como for, faça tudo o que puder para ter um Feliz Natal!!

Sou mais uma vítima dos indefectíveis amigos ocultos de final de ano.

Fãs de Torre de Babel, considerem-se vingados. Depois de declarar publicamente o que penso da novela em diversas colunas, vejo minha reputação ameaçada por algo que envolve a trama de Sílvio de Abreu. Sou mais uma vítima dos indefectíveis amigos ocultos de final de ano. A pessoa cujo nome estava escrito naquele papelzinho de aparência inocente pediu-me o CD Torre de Babel Internacional. Não poderei comprar em minha loja favorita, é claro. Lá todos me conhecem e, quando entro, me cercam mostrando as novidades off-FM de que tanto gosto e que, evidentemente, nem de perto passam por trilhas sonoras de novelas. Não usarei cartão de crédito pois no mês seguinte ainda estaria lembrando este ato aviltante.


Isto é castigo... mas tudo bem. Cumprirei com galhardia meu desígnio.


Este negócio de trilha de novela é engraçado. Os caras conseguem reunir os nomes mais obscuros, ou ressuscitar os mortos. Na novela Pérola Negra, do SBT, por exemplo, o verdadeiro fantasma não é a mocinha morta que aparece para conversar com a amiga viva. É Paulo Ricardo em sua interpretação "tem geeente" da abertura. Atualmente a única produção nacional com trilha impecável é Mulher, da Globo. Sambas da melhor qualidade, que jamais ganharão espaço no hit parede da emissora, que prefere encher de azeitona o pastel dos pagodeiros.


Mudando de assunto, mas continuando no tema drogas, vocês viram o Você Decide da maconha? Coisa mais ridícula. Absurda. Vejamos o que captei nos dois minutos que consegui assistir...


"Nerso da Capitinga" é um interiorano simplório que planta maconha para um grupo de espertinhos pensando se tratar de remédio para sei lá o quê. Seu primo (pobre Daniel Dantas) fica preocupado pois o matuto pode se meter em encrencas com a polícia. A grande questão: o primo deve entregar "Nerso da Capitinga" para a polícia ou não? Você Decide.


Ai que polêmica!! Bem imagino o pensamento de quem produziu esta maravilha.


Vamos ver o que o povo pensa sobre a maconha mas não vamos chegar ao extremo de apresentar um qualquer que use a droga e que, apesar disso, mantenha sua vidinha correndo normalmente até que um primo defensor da legalidade - ou que acredite realmente estar preservando a saúde física e mental do parente – fique na dúvida se o entrega ou não.


Isto seria demais. Não é permitido pelas regras vigentes simplesmente apresentar um quadro como este e então os produtores têm a brilhante idéia de tornar a questão uma piada absolutamente inverossímil, que talvez só ganhasse alguma credibilidade se apresentada por Bussunda & Cia.


São casos como estes que acirram minha discussão com os amigos e, principalmente, com o editor do Baguete. Acho este nome de minha coluna, Telemania, um tanto impróprio para meu caso. Sugiro a mudança imediata para Telemanóia. Mas sem prejuízo da legião de admiradores que me tem em seus bookmarks.