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Esta dracena, presente da @mayasfair , já esteve à beira da morte algumas vezes até que finalmente achou seu lugar na casa.
E reviveu tão bem que está florescendo pela segunda vez.

Olhava para ela aqui do meu lugar de almoço lembrando que achava feia sua flor. Mas quem sou eu pra decretar o que é belo ou feio neste mundo? Pra negar o corpo ou a vida do outro, seja ele animal, vegetal ou mineral?

Hoje olhando os perrengues desta dracena eu só celebro que ela tira força do c* pra florescer. Que é o que a gente faz todo dia ou tentamos.

Sorry pelo clichê piegas.

*a web está cheia de sinopses, aqui falo de Amstercia, ou Marterdam, meu próprio chip com a série.

Não tenho qualquer isenção para falar de Amsterdam, a série dirigida pelo argentino Gustavo Taretto que estreou hoje na HBO. Como diria Tessa Ia, atriz, cantautora e irmã mais nova da Naian Gonzalez Norvind, a Nadia da série, “estoy desmoronada”. Deliciosamente “desmoronada”, claro.

Por vários motivos que me dou ao direito de pular aqui, a pandemia me colocou em posição absurdamente solitária. Com casa, comida, trabalho e todo tipo de privilégio mas de grande solitude. E aí comecei, entre tantas outras coisas, a me interessar pelo México. E quem me conhece sabe que quando eu me interesso por algo ou alguém, praticamente viro uma  especialista ou biógrafa. Posso dizer que há alguns meses sou grande consumidora de filmes, séries, músicas, artes plásticas e livros mexicanos. Tudo como preparativo para uma viagem que acontecerá tão logo possa ser aproveitada plenamente, sem qualquer restrição.

Quando planejo viajar a um país que ainda não conheço fujo de guias de viagem e afins. Não sou o tipo de pessoa que vai ao México se submeter a Mariachis ou rastrear Frida Kahlo. Eu quero o país em que vivem as pessoas que imagino parecidas comigo. E desta forma elejo um grupo grande de pessoas e passo a acompanha-las em redes sociais. Não me interessam as questões emocionais/amorosas de suas vidas, calma pois não sou stalker. Mas sei que o Galea faz um ótimo sorvete de açafrão pois Naian postou. Sei onde estão os melhores brunches da Cidade do México pois a Barbara Lopez mostra (ela é magra não sei porque). Já planejo meu rolê de bike no Paseo de la Reforma num domingo como Ruzzi e por ai vai. Talvez eu compre uma gravura da Maria Conejo, se minha carteira permitir. Só pra ficar em poucos exemplos. E não. Destaco que não tenho a menor intenção de encontra-las por lá.

Até fiz o sorvete, o meu é o da esquerda.

E ai Taretto faz desfilar na minha frente um time de pessoas com quem tenho “vivido”, Danae Reynaud, Ximenas (Romo e Sariñana), Elsa y Elmar, Little Jesus etc. em uma sucessão de cenas e covers. E até um presentinho brasileiro através do Fino du Rap. Isto sem falar em Naian. Esta moça lê e contextualiza poesias no Instagram num projeto pessoal ao qual batizou de Poetry Bar. Mais do que lê, na verdade. Ela própria é do ramo. Posso dizer que aqueceu meu coração em muitas noites deste longo inverno pandêmico.

E a história da série é universal. Sem spoilers, quem a achar boba... clichê... é porque amou pouco na vida. E se amou mas nunca viveu a situação apresentada que fique longe de mim pois não confio em quem nunca faz merda. Quem jamais descomunicou? Quem já não deixou a preguiça tomar conta da relação?

Só que é uma série de Gustavo Taretto, que já sabia lidar com esta gente que divide vida e ecran em igual proporção muito antes disso virar modinha. Não é esta também a premissa em Medianeras, o filme que me arrebatou uma década atrás?  E por ter este diretor a dinâmica cotidiana e comezinha do casal protagonista é contada com uma delicadeza tão grande que quase me faz pensar que Gustavo é, na verdade, mulher. Mas não é. É só um lindo mesmo.

Vejam Amsterdam.


É óbvio que Taretto só conseguiu me comover porque Naian Gonzalez Norvind, Danae Reynoaud, Sebastian Buitron, Hoze Meléndez, Mareía Evoli e demais estão excelentes, o figurino é sensacional, a trilha eu compraria, os cenários tem a cara das personagens e a luz é linda.

OBS.: Neste um ano de "imersão" no México ficou ainda mais claro o quão nossas belezas mas principalmente nossos problemas são iguais. E o quão distantes estamos ao não tratarmos deles juntos. Violência contra a mulher, homofobia, transfobia, gentrificação, pobreza, submissão aos EUA, conservadorismo em geral, criminalidade, tráfico etc

Hoje acordei e senti na boca o gosto de pão de meio-quilo que vendia no armazém do "seo otávio", ali na Caldwell quase esquina com a Getúlio. O pão de meio é uma instituição que só vi, da forma que reconheço, em Porto Alegre. Mas Porto Alegre é uma cidade estranha. Lá tinha uma padaria maravilhosa que chegava gente de todo canto da cidade, a Pavan. Aí ela cresceu tanto, tanto... que sumiu.

A foto é do local onde era o armazém. Vazio e com grades.

Vou escrever sobre tênis mas não é de tenis. É sobre empatia em grau máximo.

Nesta noite/início de madrugada Alize Cornet venceu Simona Halep num jogo de 3 sets em 2h35min sob sol de 32 graus, que na pista chegava a sabe-se lá quanto. Um jogo que venceria quem chegasse em pé ao final, diga-se, e que valia vaga nas quartas, feito inédito pra Alize que alcançava seu 60⁰ slam consecutivo.

Pois bem… a francesa Cornet venceu merecidamente e aí começa o melhor.
Depois de uma entrevista emocionante, antes de se despedir pediu o microfone e cumprimentou a entrevistadora Jelena Dokic, mencionando sua capacidade de seguir em frente e que foi uma incrível jogadora e agora é uma também incrível comentarista. Ambas se abraçaram e choraram.

E porque isto foi sensacional?
Sororidade na veia.

Jelena Dokic, pra encurtar, nasceu na Croácia mas fugindo dos conflitos a família se mudou pra Servia/Montenegro e finalmente pra Australia. O pai, seu treinador, um sérvio louco, abusava da tenista física e emocionalmente. Espancando, chicoteando até a perda de sentidos (uma vez ao menos) após derrotas e não a deixando entrar em casa. Ela livrou-se dele finalmente e está tudo narrado no livro da moça, lançado em 2017.

Aposentada das quadras, não sem motivos desenvolveu depressão e outras doenças mentais que não especifica. Pra completar, neste mês chegou ao fim seu casamento de anos.

E o que os seres queridos das redes sociais fazem com ela? Passam os dias em ataques gordofóbicos. Sim… ganhou peso.

E por isso tudo Cornet simplesmente fez questão de abraçar a antiga adversária e fazê-la sentir-se amada em plena Rod Laver Arena, a principal quadra do Australian Open.

Alize Cornet compensou anos e anos de pitis e tretas que protagoniza com frequência em quadra.

Video do Australian Open

Em 2021 li mais do que minha meta anual de sempre... o que em geral sempre acontece. MAS... vou confessar algo íntimo aqui. Só neste ano li a tetralogia da Elena Ferrante, o que pode parecer curioso para alguém que tem o hábito de ler.

Pois bem... não havia lido porque do alto (ou baixo) da minha arrogância, jogava Elena Ferrante na valeta da "subliteratura". Isso mesmo. Sou pedante, pernostica, preconceituosa... whatever.Li o primeiro e gostei, o 2⁰, 3⁰ e 4⁰. Tudo em menos de um mês. 1690 páginas, 57 por dia (alô praqueles que acharam absurdo Lula ler 50 páginas por dia na prisão. Eu tb estava presa em casa).

Gostei muito. Não conclui se Ferrante deixou, pra mim, de fazer subliteratura ou se eu sou uma subleitora. Tanto faz. Qualquer hipótese partiu minha arrogância e me tornei pessoa melhor.

Quase dois anos de pandemia e mais quase dois do inominável. Para quem teve o privilégio de poder cumprir real quarentena, no meu caso por já atuar em home office antes do caos, foi seguro mas puxado. Morando sozinha e amando informação então... a desgraceira entrava sem parar na minha vida.

Alternando entre absurdos vistos e lidos na TV, jornais e rede sociais (as piores pois com possibilidades menos eficientes de seleção), neste período li, vi séries e filmes e ouvi música em muita quantidade. Confesso que houve momentos em que não conseguia fazer os dois primeiros e só a música me apaziguava.

E foi ai que deu-se a grande revelação.

Por caminhos da vida.. mudanças, uniões, separações e, confesso, alma novidadesca, me vi uma pessoa ouvindo música em caixinhas bluetooth espalhadas pela casa. Apesar de equipamentos das melhores marcas do mercado, são caixinhas bluetooth mono, de qualidade limitada. Saudades do meu velho system Gradiente.

Até que o home theater quebrava um galho mas o fato é que são pensados para audiovisual, não para música. Comecei a pesquisar por systems até que achei um lá que me servia e que está na foto do alto. Que avanço! Como alguém que ouve tanta música pode ter se privado de qualidade mínima por tantos anos? E com a aquisição obtive de quebra estimulo para não receber tanto lixo mitomaníaco.

White people problems, sei. É que os problemas de verdade eu deixo na terapia. Aqui é só pra marcar que eu preciso pensar melhor em minhas pequenas decisões cotidianas mas que também grande parte delas não é tão grave que não possa ser corrigida.

Chove em Curitiba e sou medrosa. Já tomei minha dose de reforço da vacina mas não me sinto confortável para frequentar ambientes públicos fechados, tipo cinemas, teatros, restaurante e afins.

Então sigo em meu solitário habitat. Mas não que isto me cause grandes aborrecimentos. Jamais me aborreço comigo mesma. Vantagens de quem não despreza livros, bons filmes e música...

Horta auto irrigável da Greenleaf, com iluminação para fotossíntesse

Como há pouco o que se pode controlar hoje sigo empenhada naquilo que depende majoritariamente da minha dedicação. Na minha imersão verde. Sou daquelas que seguem o isolamento social à medida do possível. E meu possível é bem amplo. Isto dito... passo muito tempo de pijama ou em roupas "de ficar em casa", o que era desconfortável para lidar com minha velha e linda horta de temperos localizada em área coletiva do meu prédio, como mostra a foto abaixo.

Há menos de um mês localizei pessoa interessada na minha estante e propus a troca por uma horta Greenleaf. Bingo. Eis que agora tenho em minha cozinha este equipamento autônomo em termos de iluminação e auto irrigável. Basicamente se cuida sozinha. Um milagre do hoje tão questionado dueto ciência e tecnologia.

Manjericão, manjerona, alecrim, sálvia, tomilho e hortelã à mão, prosperando cheios de viço no canto mais escuro de minha cozinha.