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Sempre me proclamei biógrafa de Lindsay Lohan. Pessoas próximas achavam que eu tinha crush na moça. Kkk Jamais. Eu era interessada na ação dos paparazzi em LA (grande parte brasileiros, caso não saibam).

Ocorre que ela era o alvo da vez e fui me interessando em como foi destruída por tudo que a cercava. E por sua própria falta de estrutura interna. Mais que me interessando, confesso, fui me absorvendo pelo drama-rama-rama.

De tudo que se disse e escreveu sobre ela jamais encontrarão que não tinha talento. Ao contrário. Jane Fonda, por exemplo, é toda elogios.

Lindsay só parou de filmar porque se tornou inviável. As seguradoras pediam dinheiro demais e os estúdios não bancavam o risco real de vê-la presa, internada ou mesmo morta durante as filmagens. Puro business e machismo. Na mesma época Charlie Sheen aprontava muito mais e nem por isso deixava de trabalhar.

Pois hoje a Netflix promove a grande volta de LiLo em um filme de Natal. Quem viu diz que ela manda bem novamente. E eu estou feliz e torcendo pela canceriana que deveria ter abandonado aquela família de loucos e não o fez.


Obs.: informo que sou especialista em política, mixologia, tennis, comunicação, gastronomia, rock-pop-indie, cinema, México e, sobretudo, banalidades.

Hoje acordei e senti na boca o gosto de pão de meio-quilo que vendia no armazém do "seo otávio", ali na Caldwell quase esquina com a Getúlio. O pão de meio é uma instituição que só vi, da forma que reconheço, em Porto Alegre. Mas Porto Alegre é uma cidade estranha. Lá tinha uma padaria maravilhosa que chegava gente de todo canto da cidade, a Pavan. Aí ela cresceu tanto, tanto... que sumiu.

A foto é do local onde era o armazém. Vazio e com grades.

Vou escrever sobre tênis mas não é de tenis. É sobre empatia em grau máximo.

Nesta noite/início de madrugada Alize Cornet venceu Simona Halep num jogo de 3 sets em 2h35min sob sol de 32 graus, que na pista chegava a sabe-se lá quanto. Um jogo que venceria quem chegasse em pé ao final, diga-se, e que valia vaga nas quartas, feito inédito pra Alize que alcançava seu 60⁰ slam consecutivo.

Pois bem… a francesa Cornet venceu merecidamente e aí começa o melhor.
Depois de uma entrevista emocionante, antes de se despedir pediu o microfone e cumprimentou a entrevistadora Jelena Dokic, mencionando sua capacidade de seguir em frente e que foi uma incrível jogadora e agora é uma também incrível comentarista. Ambas se abraçaram e choraram.

E porque isto foi sensacional?
Sororidade na veia.

Jelena Dokic, pra encurtar, nasceu na Croácia mas fugindo dos conflitos a família se mudou pra Servia/Montenegro e finalmente pra Australia. O pai, seu treinador, um sérvio louco, abusava da tenista física e emocionalmente. Espancando, chicoteando até a perda de sentidos (uma vez ao menos) após derrotas e não a deixando entrar em casa. Ela livrou-se dele finalmente e está tudo narrado no livro da moça, lançado em 2017.

Aposentada das quadras, não sem motivos desenvolveu depressão e outras doenças mentais que não especifica. Pra completar, neste mês chegou ao fim seu casamento de anos.

E o que os seres queridos das redes sociais fazem com ela? Passam os dias em ataques gordofóbicos. Sim… ganhou peso.

E por isso tudo Cornet simplesmente fez questão de abraçar a antiga adversária e fazê-la sentir-se amada em plena Rod Laver Arena, a principal quadra do Australian Open.

Alize Cornet compensou anos e anos de pitis e tretas que protagoniza com frequência em quadra.

Video do Australian Open

Em 2021 li mais do que minha meta anual de sempre... o que em geral sempre acontece. MAS... vou confessar algo íntimo aqui. Só neste ano li a tetralogia da Elena Ferrante, o que pode parecer curioso para alguém que tem o hábito de ler.

Pois bem... não havia lido porque do alto (ou baixo) da minha arrogância, jogava Elena Ferrante na valeta da "subliteratura". Isso mesmo. Sou pedante, pernostica, preconceituosa... whatever.Li o primeiro e gostei, o 2⁰, 3⁰ e 4⁰. Tudo em menos de um mês. 1690 páginas, 57 por dia (alô praqueles que acharam absurdo Lula ler 50 páginas por dia na prisão. Eu tb estava presa em casa).

Gostei muito. Não conclui se Ferrante deixou, pra mim, de fazer subliteratura ou se eu sou uma subleitora. Tanto faz. Qualquer hipótese partiu minha arrogância e me tornei pessoa melhor.