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A visita do Papa

Explicações para meu desinteresse pela visita do Papa. Não é ateísmo e menos ainda intransigência religiosa. É pessoal mesmo.


Lá vem o Papa. Está nos jornais, na TV, nas emissoras de rádio, no meu cérebro. Lembro da visita de João Paulo II a Porto Alegre em 1979 ou 80, jamais esquecerei pois fui vê-lo lá no burburinho e perdi todos meus documentos. Por conta disso não pude fazer vestibular naquele julho.


Lembro também porque tinha uma musiquinha que martelava a cabeça da gente dia e noite... "abenção João de Deus, nosso povo de abraça...", que só não perdia em cretinice para o coro gaudério cantando: "ucho, ucho, ucho... o Papa é gaúcho".


O que eu fazia lá se quem me conhece sabe o tamanho da minha fé? Oras... era uma esquerdinha e onde houvesse uma manifestação popular lá estava eu. De caravana atrás do papamóvel a comício das diretas, pouco depois. Pra quem cantou em festival riponga, ver o Papa era o mínimo.


Os anos passaram e meu interesse por grandes aglomerações não arrefeceu. Foi totalmente exterminado. Multidões, catarses coletivas e manifestações beirando a histeria... que passem ao largo. Se não posso impedir a invasão das informações sobre esta visita, que ao menos me cheguem só como informações de algo acontecido a quilômetros de mim.


Ódio do Papa? Eu? De jeito nenhum. Acredito piamente no poder do perdão e da misericórdia. Só que eu não dou moral pra quem não gosta de mim. E até que ele me prove o contrário, Bento XVI  me quer ardendo no fogo do inferno.


Tenho uma doença auto-imune, daquelas que vislumbram cura com as pesquisas através de células-tronco e embrionárias. Ele é contra. Qualificou como praga a segunda união. Estou na terceira... o que sobra para mim? Se ele imaginar a natureza pouco ortodoxa das minhas relações em geral e uniões em particular... lasquei-me totalmente, então.


Desta forma, não é que eu não goste do cara. Mas também não vou aplaudir quem me quer mal.