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O Rei está nú. E não há nada a fazer!

O acordo para retirada de "Roberto Carlos em detalhes" do mercado é inútil. Completamente inútil. Aliás... só serve para dar idéias criminosas.


Ninguém é perfeito e jamais tive esta pretensão. Ok, eu gosto do Roberto Carlos, o cantor. Assumo. Não sou do tipo que compra pacote de cruzeiro para ver o Rei cantar, mas se posso não perco o especial de final de ano e quando tive a oportunidade de obter sua discografia completa, até 1986, que era o que me interessava, o fiz sem pestenejar.


Admito também que pedi (e ganhei) de Natal o livro "Roberto Carlos em detalhes", do agora censurado Paulo Cesar de Araújo. Mais que isso, li a obra em tempo recorde. O peru de Natal ainda rendia sanduíches aqui em casa e o livro já estava lido, repousando na estante.


Acompanhei o imbroglio judicial do biografado contra autor e editora com certa curiosidade. Curiosidade vã, diga-se, visto que Roberto não esclarece exatamente do que não gostou, dando margem a especulações de que as passagens, para ele, impróprias teriam sido as do acidente na infância e as aventuras amorosas e sexuais da juventude. Ah,  o calvário de Maria Rita não teria agradado também.


Aqui em casa, a cada novo passo do processo que parece ter chegado ao fim com o acordo amplamente divulgado na mídia, discutíamos a legitimidade da ação. A vida é do Rei e só a ele cabe escancará-la? Pessoas públicas não têm direito ao privado? O livro nem é ofensivo, porque tanta reclamação do artista?


Concluímos que esta discussão seria inconclusa pois só quem foi "vítima" da biografia pode saber o quão invadido e ofendido se sentiu. Esta é daquelas coisas que viajam por esferas desconhecidas do nosso próprio psiquê, que dirá do alheio. Não ouso palpitar sobre o caso.


Mas... e há sempre um mas, faço aqui um alerta.


Já foram vendidos quantos exemplares? Cada exemplar é lido por quantos? A proibição aguçou a curiosidade de quantos mais? E, principalmente, quantos dias para "Roberto Carlos em detalhes" estar disponível para download gratuito na net? Tudo bem que consigam fiscalizar venda e distribuição em livrarias, off e online, mas como combaterão os blogs, os vlogs, os flogs, os p2p, os torrents?  Luta inglória e totalmente anacrônica, pois.


Arquivos falsos já encontrei três. Mas hora destas surgem os quentes. E estes, ao invés de custarem R$ 50, como o livro, custarão R$ 5 em Cds ofertados por camelôs país afora. E de quebra, a cada citação das músicas teremos um link para o áudio ou o clipe correspondente.


Não venham me processar pois não estou dando idéia alguma. Estou falando o óbvio!

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