Urubus e pedaladas

Estaciono o carro no Museu Oscar Niemeyer, abro o bagageiro e retiro dali  minha bike dobrável para dar uma desopilante pedaladinha. Ato contínuo ao início da montagem, aproxima-se um senhor de idade entre 67 e 72 anos e começa a conversar. A falar sozinho, digamos.

Gente do céu!!! Uma descarga de negativismo disfarçada sob voz melíflua. Primeiro falou que eu era muito corajosa. Que ele tinha 17 bicicletas (17 TVs também) mas que não andava mais com elas pois havia sofrido diversos assaltos na ciclovia. Sugeriu que eu não andasse pois era muito perigoso. Que já foi assaltado aqui, ali, acolá…

E não parou. Quando o tema assalto o cansou, fez um olhar curioso e perguntou, já sabendo a resposta, qual a marca do meu carro. “Um Lifan 320. Chinês”, respondi.

Pra que?! “Você teve a coragem de comprar um carro chinês”? E ai derramou em minhas orelhas um rosário de queixas sobre a infinidade de produtos chineses que comprou e que estragaram em pouco tempo. “Nada presta”, dizia.

Eu dava umas risadinhas sem graça. Terminei a montagem da bicicleta mas ele não encerrava a falação. Quando finalmente consegui me desvencilhar, subi na bike, andei 100 metros e… chuva.

Voltei. Ele havia conseguido estragar meu passeio com tanto “estímulo”. Olhei pro céu e pensei que a chuva logo passaria.

Passou. E eu pude passear observando belos recantos como o da foto acima.

Chupa véio urubuzento!

Domingo no parque

Hoje acordei e bateu vontade de dar uma pedaladinha num caminho que fazia a partir de um antigo apartamento em que morava. Estacionei o carro aos fundos do Museu Oscar Niemayer, ao lado do “cachorródromo”, e parti rumo ao Parque São Lourenço, atravessando o lindo trajeto do Bosque do Papa (abaixo).

Saindo do Bosque do Papa, pela ciclovia, andei através da Rua Cecília Meireles. Havia esquecido do meu velho sonho de ter uma carta endereçada para

Márcia Mendes Ribeiro
R. Cecilia Meireles, nº XXX
Curitiba – PR

Seria tão lindo. Pro meu gosto só perderia para ter um endereço na R. Sofia (sabedoria) Veloso, em Porto Alegre. Mas isso são poemices desta boba aqui. Melhor seguir o trecho.

Vale dizer que o percurso mudou muito desde a última vez que o percorri. Ao longo da ciclovia as velhas casinhas foram substituidas por novas e cuidadas moradias. Ficou tudo tão lindo! O prazer de morar colado a dois parques sem a “metidez” de ter de ser perto do Barigui e sua especulação imobiliária megalômana. Parabéns a quem construiu ali.

Finalmente cheguei ao Parque São Lourenço. Vazio. Acho que Dia dos Pais chama pra cozinha e não para os parques.

Eis  abaixo o resultado do breve passeio. E depois algumas observações.

1. Foi a primeira saida de rua da bicicleta dobrável e posso dizer que ela suporta bem mais do que eu imaginava. Compensa as rodas pequenas e as suas poucas marchas (são seis) com leveza. Subi pequenas e médias elevações sem problemas.

2. Não preciso de ciclocomputador nela pois o GPS do telefone, com o programa Endomondo (detalhe acima) dá conta do recado com sobras. E além de tudo, com uso do fone, o programinha (a espaços de tempo pré-definidos) vai falando distância percorrida, tempo e velocidade. Sensacional. Inclusive as informações coletadas são armazenadas no site da Endomondo e sobrepostas a um mapa. Lembro quando trabalhei para o GIS Brasil e toda aquela falação sobre georreferenciamento parecia ficção.

3. Sintonizei o rádio do telefone na Lumen FM e descobri que é ótimo pedalar ao som de sambalanço. Depois da sala de espera, mais uma utilidade pro pessoal da Trama. Ah… o Endomondo corta a música para dar as informações mas isso não chega a irritar.

4. O passeio deu uma boa amenizada no afastamento do tênis (cotovelo MUITO melhor mas ainda em resguardo)

Era isso. Agora tomar banho e almoçar.

Zeca Camargo empata pedalada

Aquilo que deveria ser um bucólico passeio no parque transformou-se em uma escala no inferno. Sabia que hoje era dia em que Zeca Camargo viria fazer o “merchan” daquele reallity-fat em que ele e Ceribelli enfrentaram a balança no Fantástico. Quando consegui vaga no estacionamento de dentro do Parque Barigui achei que seria mole.

Que nada. Havia vaga porque o parque foi tomado por orda de adolescentes vindos sei lá de onde. E o microfone gritava repetidamente: “não adianta empurrar para conseguir fotografia”.

Valeu Zeca! Você quase ferrou minha pedaladinha.