Sim, sou louca

A casa ali ao fundo é onde moro. E a quadra em primeiro plano fica bem na diagonal e poucos metros as separam. Poucos metros, 8 meses, 80 sessões de fisioterapia e uma aplicação de PRP.

Mas estou boa. Tenho todos os movimentos do cotovelo, coisa inimaginável há pouco. O exame clínico, o mais eficiente para detectar tennis elbow (epicondilite lateral), deu ok. Sem que o médico pedisse, e precavida que sou, fiz uma ultrassonografia que nada apontou. Zerada.

Mas o cotovelo ainda dói e, segundo o médico, é uma tal de memória da dor. E mandou eu fazer fortalecimento muscular e voltar a jogar de uma vez. Retomei o personal e marquei o instrutor. Vai ser amanhã minha volta às quadras.

E pasmem? Está doendo o cotovelo. Doendo sem perda de movimentos, sem perda de força, sem perda de nada. Só doendo.

Ok. Enlouqueci. “Medrei”. A idéia de dar meu primeiro golpe e a dor real voltar me apavora. Mas me apavora ao ponto de eu me boicotar a fazer o que mais gosto. Tudo de novo, dor e tratamentos, seria (será?) de matar.

Resiliência tem limite.

Trégua da dor


Este video tosco eu produzi só para demonstrar como anda minha recuperação após a aplicação da PRP – Plasma Enriquecido de Plaquetas, já comentada aqui.

O mundo deu muitas voltas desde o finalzinho de junho, quando a dor se instalou em meu cotovelo, fosse diagnosticado um tennis elbow (epicondilite lateral), passasse por 3 sessões iniciais de fisioterapia, tivesse uma cirurgia prescrita, usasse medicamentos vindos do Japão, fosse a São Paulo para me submeter a tal aplicação, voltasse a Curitiba e  já tivesse completado dois lotes de 10 novas sessões de fisioterapia. Ufa!!

Tudo isso para que, desde ontem, eu consiga fazer sem dor aqueles três simples movimentos mostrados no video ali de cima: pegar o roupão no cabide, puxar um livro na estante e me servir em um bufê usando o pegador de massas ou saladas. Tem ainda o manuseio do hashi. Pra encurtar, todo e qualquer movimento de pinça, com pouca ou média força associada.

Dia de comemorar!

Sou poderosa

Pensando que eu sou pouca coisa?

Eu e Venus Williams estamos ali-ali (dedos indicadores cretinamente roçando um contra o outro em sentido longitudinal).

Olha o que ela acabou de postar no Fabebook.

A única diferença é aquela parte dos torneios, claro.

Diálogo dominical

Assistindo TV e navegando na internet encontro o lançamento Louboutin acima. Viro a tela do note pra Deni e o seguinte e breve diálogo se instala:

– Que tal este sapato?

– Tudo o que eu preciso pro meu ciático.

É. Lá se vão anos.

 

Quando pago por injeção no cotovelo…

Quem está próximo a mim sabe que desde julho ando sofrendo uma dor desgraçada no cotovelo. Não é inveja… é a famigerada epicondilite lateral, ou tennis elbow, ou cotovelo de tenista, como queiram. De qualquer forma uma dor fdp que algumas vezes se irradia por todo antebraço e noutras se trasveste de agudinha e vai direto ao ponto. Ambas bem doloridas, além de alternadamente constantes.

O tratamento tradicional para esta porcaria tem quatro indicações: fisioterapia, anti-inflamatórios, infiltração e cirurgia. Fiz duas séries de fisioterapia, tomei diversos tipos de anti-inflamatórios (dos moderados aos com opiácios) e nada melhorou. A etapa da infiltração com corticóides foi descartada, visto ser apenas paliativa e de elevado risco. A cirurgia então se apresentava com a última alternativa.

Confesso que quando me indicaram cirurgia fiquei contente. Não conteeeennnnteee mas é que eu estava fazendo qualquer negócio pra parar com a dor. Se me mandassem comer azeitonas, coisa que mas destesto comer na vida, talvez até aceitasse.

Mas como internet e suas redes sociais não servem apenas para denunciar, mobilizar passeata, paquerar, fofocar e procrastinar, encontrei uma possibilidade mais razoável para minha reabilitação. Ela veio através do twitter do Jairo Garbi (@JairoRaquetes), da Tennis Pro Shop. O cara entende muito de raquetes de tênis e é sobre elas que escreve no microblog. Uma vez perguntei a ele qual seria uma raquete mais indicada para mim e depois, no auge do meu “calvário” perguntei se ele poderia me indicar algum médico especializado no tratamento do meu problema. Sem pestanejar me sugeriu uma visita ao Dr. Rogério Teixeira da Silva.

E lá fui eu, não sem antes me informar. Ele é mestre, doutor bla bla bla. Tudo ok no Lattes. E trabalha com tenistas. Falei com meu médico em Curitiba e ele me deu apoio, ressaltando que eu poderia voltar de São Paulo  com o problema resolvido.

Viajei no final da manhã de quarta-feira  e às 15 horas estava na frente do Dr. Rogério, munida de ressonâncias e outros exames mais. Fez testes no meu cotovelo, olhou os exames e disse que 80% dos casos em estágio similar ao meu dispensam cirurgia com a aplicação de PRP. Perguntei qual o prazo para recuperação e falou que, em tudo dando certo, no final do ano estarei na quadra.

Não vou ficar me alongando sobre o que é PRP – Plasma Rico em Plaquetas, pois isso está muito bem explicado no blog do Dr. Rogério  e até em vídeos no Youtube. Resumidamente o PRP usa as plaquetas do sangue para acelerar o processo de cicatrização dos tecidos. O método tem várias aplicações comprovadas, sendo que no tratamento de epicondilite já há até publicações de primeira grandeza.

Feitas então as explicações necessárias perguntei quando poderia ser feita a aplicação e quanto custaria. Para minha sorte o procedimento poderia ser encaixado no “lote” daquele dia mesmo. E para meu azar médico e  “brincadeira” não são cobertos pelo meu plano (ou qualquer outro). Não é barato mas digamos que custe um valor que compensa uma cirurgia e todos suas consequências com sobras. Somando consulta + laboratório + anestesista + aplicação… dá perto de R$ 3 mil.

E lá fui eu. A coisa é muito simples. Tirei sangue, aguardei uns 10 minutos para a centrifugação e separação das plaquetas e parti para a sala com um aparelho tipo o de ecografia. Deitei e aplicaram anestesia local no braço. Esperei uns minutinhos para que fizesse efeito enquanto conversamos sobre tênis, quadras, raquetes (todos tenistas ali, médicos e fila de pacientes). A “coisa” começou. Injetam as plaquetas seguindo a imagem. Não senti dor mas sempre me incomodo com agulhas. Quando perguntei para o médico quanto tempo levaria ele respondeu: “já acabou”. Deve ter demorado uns 5 minutos.

Sai de lá com as seguintes recomendações: 1 comprimido/dia de Milgamma que me ajudará a eliminar a memória da dor e apertar uma bolinha de tênis 3 vezes ao dia até iniciar nova sessão de fisioterapia (amanhã, 11/10). Pelo que sei a fisio terá fases de analgesia e depois de recuperação da força.

Nos dois primeiros dias senti dor alguma.  Hoje estou com um pouco de dor mas escrevi para ele, com a seguinte resposta:

“É normal sentir essa dor sim, faz parte do início do processo de reparação do tecido. A dor normalmente é em toda a extensão do tendão, que vai desde o epicôndilo (pontinha do osso no cotovelo) até a parte mais proximal do antebraço. Não se preocupe, ela vai cedendo aos poucos com a fisio”.

Uau! Ele, o médico, responde e-mails de pronto.

Estamos bem, assim.

Até o próximo relato. Espero que positivo.

Pause

Ah! Sei que tem gente sem braço, sem perna, sem dinheiro pra tratamento e remédio, sem alguém pra acompanhar. Sei também que existem outros com tudo isso, porém sem chance de cura.

Ocorre que sou filha única mimada que não fez o rito de passagem para a condição de mãe… continuo filha. E isso me concede o patológico direito de dizer que estou PUTA DA VIDA  com a bosta do meu cotovelo que não melhora e que dói pra cacete e me restringe um monte.

E como, apesar disso tudo, tenho um mínimo de consideração por mim e pela humanidade, decidi me ausentar das redes sociais por um mês para que meu mau humor não me ponha a destilar veneno entre aqueles que aprecio.

E, ainda, considerando que não vou parar de escrever, dirigir, comer, escovar os dentes, pentear cabelo e atividades afins… resta deixar um pouco de lado os smartphones de todo tipo.

Vou me empenhar. Ou tentar.

Dores

Impressionante como minha incapacidade de suportar dores provocadas externamente (dentista, injeção…) é inversamente proporcional a minha capacidade de suportar dores que vem de dentro (doenças, machucados etc).

Estas últimas eu aguento bem.

Estou com uma literal dor de cotovelo.