As fases da vida

Nossos compromissos sociais são cíclicos, acompanham nossa faixa etária. As festinhas infantis, os aniversários de 15 anos, as comemorações dos calouros, formaturas, casamentos, batizados, festinhas infantis dos filhos, sobrinhos e afins etc etc etc. Eis que chego na fase dos hospitais e velórios. Não há reclamação neste cometário. É fato.

E na medida em que cresce minha intimidade com esta fase em que parentes e pais de amigos adoecem (e os meus próprios, mas felizmente não de forma grave), aumentam algumas certezas. A principal delas é que DOENTE TEM QUE SER BONZINHO.

Tem coisa pior que lidar com doente teimoso? Querido doente… você está doente e isso é bem ruim. Chato  mesmo. Bom é ir no baile da terceira idade e passar a mão na velhota viúva daquele mala contador da repartição. Só que não é o que está rolando no momento. Aqui e agora, você está fraco, debilitado e carente de cuidados.

E Deus, generoso que é,  colocou no seu caminho uns dois ou três indivíduos dispostos a tornar seus dias mais leves.

Mas só se você deixar, claro. E sem querer ser grossa, você não tem escolha. Quer dizer, tem. Dá pra fazer como os velhos Sioux e subir nas montanhas pra esperar a morte. Cá pra nós, sabemos que você não tem elevação espiritual e nem coragem pra isso. Então encare que é bom ter quem leve um prato de sopa na sua cama, ainda que você nunca tenha gostado da salsinha que bóia no prato a sua frente.

Quem sabe se você apenas comentar que não gosta da tal salsinha ao invés de tascar uma grossura do tipo “eu não quero isso ai” tenha mais sucesso?

Porque vamos falar sério. Ver um doente sofrer não é legal. Deixar um pouco de lado nossa vida pra cuidar de um doente pode ser necessário e até reconfortante mas complica o dia a dia pra caramba. Em que pese a moral cristã e as leis dos homens dizerem que não podemos abandonar os nossos, obrigação é algo muito relativo.

Por tudo isso, deixe de lado aquele seu histórico mau-humor. Aposente a soberba. Supere sua teimosia.

E aceite. Por uma única vez em sua vida de ranzinza, apenas aceite que alguém demonstre amor por você um pouquinho.

Guardemos isso pra quando chegar nossa vez. Gratidão é um valor superior.

Lágrimas de crocodilo

Sem drama, apenas registro de mais uma ironia materializada.

Todos meus amigos sabem que sou uma manteiga derretida. Costumo dizer que certos filmes só me fazem chorar uma única vez, dos 10min iniciais ao término dos letreiros. Gente! Só para terem uma noção, chorei em Outono em Nova York e não foi de raiva.

Eis então que minha última ida ao médico decretou que, entre minhas doenças esquisitas, acaba de se manifestar a tal de  Síndrome de Sjögren. É uma doença autoimune blá, blá, blá… que afeta as  glândulas produtoras de lágrimas e saliva.

Ou seja: minhas lágrimas estão secando! Não é incrível?

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P.S.: Calma. Minhas lágrimas, por ora, só diminuiram de qualidade, não de intensidade.  Devem estar na fase de “lágrimas de crocodilo”.

P.S.2: Mais calma ainda. Gotinhas de lágrimas artificiais resolvem em qualquer etapa. No panic!