Leia-me mas não discorde

Jornalista, técnico, sociólogo, empresário, sindicalista… o que for, publica artigo em qualquer meio. Artigos, sabemos, expressam opinião. Publicado o texto, opinativo, pois, chegam as considerações dos leitores.

Engraçado que, seja o autor de direita, esquerda, meia-volta-volver, o pobre diabo que ousar discordar dele receberá a pecha de “reacionário”. E bradará, o escriba, pelo direito de manifestar seu pensamento livremente. O que de fato lhe cabe.

Estranho, contudo, que este mesmo direito o articulista não reconheça aos leitores. Ora, se eu escrevo e publico (torno público), coloco-me vulnerável a todo tipo de resposta.

Por anos não mantive em meu blog a opção “comentário”. No alto da página até ostentava a seguinte pérola: “Sem comentários. Se quisesse debate criaria um fórum, nao um blog”.

É no que acredito.

Então, se seu portal, blog, site ou espaço em rede social oferece a oportunidade de feedback, aguente. Não diminua a opinião alheia. Ela pode ser tosca mas afinal… liberdade de opinião e expressão não são prerrogativas suas.

E como sempre digo: quer anonimato vá ser bancário. Eu sei que só escreve e publica quem quer ser amado mas não é isso, necessariamente, o que acontece.

Posso achar chato?

A grande vantagem de ter um blog inexpressivo como este é que posso escrever o que quiser, sem medo de apanhar da humanidade. Por exemplo: posso dizer que desde que me conheço por gente acho a chamada vanguarda paulista (de todos os tempos) chata. De Itamar/Arrigo a todas novidades que percorrem o circuito cultural da modernidade ultra cabeça do tipo Petit, Becker, Aidar etc.

Eu não estou dizendo que são ruins. São bons. Apenas os acho chatos. Também não quero que sumam e parem de trabalhar. Ao contrário, que prosperem. Posso achar chato? Posso achar o que eu quiser?

Só não entendo, acompanhando o imbroglio que envolve Alvaro Pereira Jr., da FSP,  porque os adoradores deste povo podem malhar Restart e Claudia Leite (e faço coro a eles) mas o mesmo não pode ser feito com os queridinhos do universo alternativo-cabeça-universitário.

Sei que o jornalista fez insinuações/considerações políticos-econômicos… mas me irrita observar que este país anda num processo crescente de democracia “só para mim”.

Só para o que “eu” penso e acredito.

Anta erudita

Hoje Inácio Araujo, que dá pitacos sobre cinema na Folha de São Paulo, acabou com Black Swan. Qualificou o filme como “ruim” com base em meia dúzia de citações. E todo mundo sabe que se pode buscar aspas que justiquem qualquer opinião neste mundo.

Há um bom tempo me cansei destes críticos todos. Desde Giron, uma bando de ranzinzas. Quando escolho um filme me baseio em informações acumuladas, como o que já fizeram diretores, atores e demais técnicos do filme. E quando nada sei apelo para o tradicional boca-a-boca.

Mais vale a dica de um amigo ou de pessoa que admiro e sigo no Twitter do que os resmungos destas antas eruditas.